Janeiro começa, e a primeira coisa que aparece nas redes é a fita branca da campanha de saúde mental que leva o nome do mês. A fita é boa. A campanha é boa. O risco está em parar nelas.

Há doze anos a campanha existe. Cresceu no interior de Minas e virou pauta nacional. Empresas adotam, ministérios mencionam, prefeituras municipais cravam slogan. O ganho é real: o que era tabu há vinte anos hoje aparece em conversa de churrasco. Sofrimento ganhou vocabulário público. Esse é trabalho de cuidado coletivo bem feito.

Onde a campanha não chega

Mas campanha é entrada, não saída. O leitor de uma peça do Janeiro Branco precisa, em seguida, encontrar profissional disponível, acessível e responsável. No Brasil de 2026, esse encontro continua escasso. A relação psicólogo por habitante avançou desde 2010, mas a distribuição segue desigual: cinco estados concentram a maioria dos profissionais formados nos últimos cinco anos. Quem está em Sergipe, no Acre, no interior do Mato Grosso do Sul, segue procurando.

A campanha sozinha não resolve a distribuição. O SUS tem CAPS, mas precisa de mais. Os planos privados oferecem rede credenciada, mas com limites que nem sempre cabem em casos de longo curso. As clínicas particulares cobram o que cobram. A telepsicologia ampliou acesso, mas tem limites próprios que veremos em peça dedicada ainda este mês.

O que esta Cadeira propõe

Este portal nasce no início de 2026 sem pretensão de resolver o problema da distribuição. Pretende fazer outra coisa, mais modesta: oferecer leitura editorial diária, séria, em português, sobre ciências psicológicas. Para quem é da área, suporte ao trabalho. Para quem não é, vocabulário que respeite a complexidade.

Cada peça do mês tem autor com endereço. Cada autor responde pelo que escreve. Cada peça passa por revisão editorial cuidadosa. Não há autoanúncio neuro-empreendedor. Não há promessa de cura em três passos. Há tentativa honesta de pensar publicamente sobre a saúde mental brasileira contemporânea.

O que esperar em janeiro

A pauta deste mês cobre: verão brasileiro e ritmo circadiano, retorno do recesso clínico, resoluções de ano novo e sua sociologia, formação de psicólogos para emergências climáticas, a crise Yanomami e o que falta no debate clínico, IA generativa na primeira sessão. Trinta e uma peças, cada dia uma. Cinco verticais principais e duas sub-tags em rotação.

A Cadeira do Editor volta em vinte e dois de janeiro com peça de balanço. Entre uma e outra, os Scribas conduzem.

Bom janeiro.

Conteúdo editorial e informativo. Não é aconselhamento clínico nem substitui atendimento profissional.