Janeiro Branco circula em rede social, em outdoors, em fachadas de empresa. O SUS é o lugar onde a maior parte dos brasileiros que precisa de cuidado em saúde mental efetivamente busca atendimento. A relação entre as duas frentes precisa ser explícita.

Comparar 2021 e 2026 ajuda a ver o que mudou.

O que cresceu

Número de CAPS brasileiros cresceu cerca de oito por cento no período. A maior parte do crescimento ocorreu em municípios médios do Centro-Oeste e Nordeste, onde a cobertura era mais escassa. Capitais do Sudeste tiveram crescimento mais modesto. A distribuição segue desigual.

O financiamento federal teve correção parcial. Em valores reais, ainda está abaixo do que seria necessário para cumprir a Política Nacional de Saúde Mental como desenhada na Reforma Psiquiátrica. A diferença entre o desenho e a execução é persistente.

A formação de psicólogos para atuação no SUS recebeu atenção crescente em algumas regiões. Programas de residência em saúde mental se expandiram. O ritmo de expansão, no entanto, não acompanha a demanda.

O que estagnou

Fila de espera para psicoterapia continuada no SUS, fora de quadros agudos, permanece longa. Em cidades do Sudeste, espera de seis meses para primeira sessão é comum. Em municípios menores, espera pode ser superior a um ano.

A telepsicologia no SUS começou a ser implementada em algumas regiões a partir de 2023. A expansão tem sido lenta, em parte por falta de infraestrutura local, em parte por dificuldade de regulamentação dentro do sistema público.

O que poderia mudar nos próximos cinco anos

A Política Nacional de Saúde Mental atual foi formulada há mais de vinte anos. Atualização foi sugerida em conferências recentes. O processo é lento e político. Em algum momento dos próximos cinco anos, atualização vai ocorrer.

Pontos que vale acompanhar: integração de saúde mental com atenção básica, financiamento federal de psicoterapia continuada no SUS, regulamentação de telepsicologia pública, formação de psicólogos para atuação em emergências climáticas e desastres.

Para profissionais do sistema

Quem trabalha no SUS sabe que o trabalho cotidiano é diferente do que o discurso de janeiro sugere. Há valor em manter o trabalho mesmo com o sistema imperfeito. Há também valor em pressionar publicamente por reforma. Os dois trabalhos coexistem em quem está na prática.

Janeiro Branco pode ser ocasião para a segunda dimensão. Em 2026, faz sentido aproveitar a visibilidade pública do mês para discutir saúde mental como direito coletivo, não apenas como cuidado individual.

Conteúdo editorial e informativo. Não é aconselhamento clínico nem substitui atendimento profissional.